PROJETO INCENTIVA INFORMATIZAÇÃO NO JUDICIÁRIO

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PROJETO INCENTIVA INFORMATIZAÇÃO NO JUDICIÁRIO

Fórum de Artur Nogueira já é total­mente dig­i­tal; juiz de Limeira foi con­hecer a operacionalização

Renata Reis/​Rafael Sereno

O lança­mento do Processo Judi­cial Eletrônico (PJe), sis­tema de infor­mática desen­volvido pelo Con­selho Nacional de Justiça (CNJ), no último dia 21, rea­cen­deu a dis­cussão sobre a neces­si­dade de informa­ti­za­ção no Judi­ciário como forma de reduzir prateleiras e mais prateleiras de pas­tas e agilizar o trâmite de uma ação, da dis­tribuição até a sentença.

O sis­tema PJe é um soft­ware elab­o­rado pelo CNJ a par­tir da exper­iên­cia e com a colab­o­ração de diver­sos tri­bunais brasileiros. O obje­tivo é man­ter um sis­tema eletrônico capaz de per­mi­tir a prática de atos proces­suais pelos mag­istra­dos, servi­dores e demais par­tic­i­pantes da relação proces­sual dire­ta­mente no sis­tema, assim como o acom­pan­hamento desse processo.

Com a informa­ti­za­ção, há expec­ta­tiva de racional­iza­ção de gas­tos com elab­o­ração e aquisição de soft­wares, que per­mi­tirão o emprego dessas ver­bas e de pes­soal em ativi­dades mais dirigi­das à final­i­dade do Judi­ciário: resolver os conflitos.

O Tri­bunal de Justiça (TJ) de São Paulo já man­têm serviço semel­hante em alguns municí­pios, como no Foro Dis­tri­tal de Artur Nogueira, onde a Gazeta e o juiz da 2ª Vara Crim­i­nal de Limeira, Luiz Augusto Bar­richello Neto, acom­pan­hado de seu chefe de cartório, Paulo Sar­tori, estiveram em visita na última semana.

Na comarca viz­inha, o juiz tit­u­lar Fábio Fazuoli, junto com o super­vi­sor de serviços, Pedro Rogério, mostrou o fun­ciona­mento de um Fórum total­mente dig­i­tal. “É uma mudança de par­a­digma, sair do papel e ir para o dig­i­tal”, diz o juiz. Ele conta que, ape­sar do sis­tema estar em oper­ação desde o fim de 2007, quando o Fórum foi insta­l­ado, ainda exis­tem muitas bar­reiras a serem superadas.

COMO FUN­CIONA

Em Artur Nogueira, os advo­ga­dos têm a pos­si­bil­i­dade de peti­cionar por meio eletrônico, mas essa via é a mino­ria. A média de proces­sos ini­ci­ais da forma tradi­cional é de 400450 por mês. Desde o iní­cio do ano, ape­nas 30 proces­sos foram pro­to­co­la­dos pela inter­net. O Foro Dis­tri­tal de Artur Nogueira tam­bém recebe proces­sos de Engen­heiro Coelho.

Para fazer pelo meio eletrônico, os advo­ga­dos pre­cisam, primeira­mente, adquirir uma Cer­ti­fi­cação Dig­i­tal, obtida através de autori­dades cer­ti­fi­cado­ras autor­izadas pelo ICP-​Brasil (Infraestru­tura de Chaves Públi­cas Brasileiras). Depois disso, é pre­ciso efe­t­uar cadas­tro de iden­ti­fi­cação pes­soal no site do TJ (www​.tjsp​.jus​.br).

Ape­sar da garan­tia de segu­rança do sis­tema, Fazuoli conta que muitos advo­ga­dos demon­stram receio ou sim­ples­mente não são se afeiçoam com os meios eletrôni­cos, o que eleva a demanda de dig­i­tal­iza­ção no Fórum. De maio a dezem­bro do ano pas­sado, os servi­dores pre­cis­aram dig­i­talizar 74.986 pági­nas de processos.

São seis servi­dores envolvi­dos no tra­balho de dig­i­tal­iza­ção. Se os advo­ga­dos usassem mais o sis­tema, ao menos três ficariam livres para out­ros serviços.

O TJ fornece as máquinas necessárias para o tra­balho. O processo de dig­i­tal­iza­ção segue a ordem cronológ­ica da dis­tribuição das petições, mas, em casos de urgên­cia, como pedi­dos de liber­dade pro­visória ou qual­quer outro que requeira análise ime­di­ata do juiz, há o bom senso de esta­b­ele­cer as prioridades.

Quando o processo chega por meio eletrônico, em questão de min­u­tos pode estar na tela do mag­istrado. Fazuoli lem­bra que, certa vez, con­cedeu uma lim­i­nar e, min­u­tos depois de disponibilizá-​la no sis­tema, o advo­gado foi até o Fórum peti­cionar o pedido de recon­sid­er­ação da lim­i­nar. “Fiquei sur­preso porque, coin­ci­den­te­mente, a parte estava nave­gando na inter­net e tomou con­hec­i­mento ime­di­ato”. Ele ainda conta que soube de um advo­gado que con­tra­tou uma estag­iária ape­nas para mon­i­torar o anda­mento dos proces­sos pelo sistema.

Fazuoli diz que há o receio de invasões de hack­ers, mas conta que o TJ desen­volve uma ampla tec­nolo­gia de segu­rança e, até o momento, não foram reg­istra­dos inci­dentes do tipo.

Nas prateleiras do Fórum de Artur Nogueira, os proces­sos físi­cos são muito poucos. Há espaços vazios, real­i­dade bas­tante difer­ente dos cartórios de Limeira e out­ras cidades.

ENTRAVES

O juiz local aponta que um entrave é que as del­e­ga­cias e Fóruns de out­ras comar­cas não estão informa­ti­za­dos e, muitas vezes, o processo que já está dig­i­tal­izado pre­cisa ser impresso para sequên­cia do pro­ced­i­mento, como quando chega ao fim na primeira instân­cia e segue para recurso no TJ. Outro exem­plo: num feito crim­i­nal, toda a fase de inquérito poli­cial con­tinua no papel, ape­sar de a Justiça já acompanhá-​lo. A informa­ti­za­ção só ocorre a par­tir da man­i­fes­tação do Min­istério Público (MP) pelo ofer­ec­i­mento da denún­cia ou pedido de arquiv­a­mento do caso.

Marcelo de Men­donça Neves assumiu a Pro­mo­to­ria de Justiça de Artur Nogueira no iní­cio de junho. Em um mês, ele notou que o sis­tema per­mite maior rapi­dez nas ações. Para ele, este é o caminho.

Bar­richello conta que a exper­iên­cia foi pos­i­tiva, mas acred­ita ser uma real­i­dade dis­tante para Limeira. Ele con­sid­era o tamanho do municí­pio viz­inho e que, o Fórum de Artur Nogueira já foi insta­l­ado com a tec­nolo­gia. Ele é favorável à mod­ern­iza­ção no Judi­ciário, prin­ci­pal­mente em relação às ações sim­ples, como exe­cuções fiscais.

Por outro lado, diz que o tra­balho man­ual não pode ser dis­pen­sado e que os servi­dores pre­cisam ser capac­i­ta­dos para aten­der os propósi­tos da informa­ti­za­ção e evi­tar os gar­ga­los que surgem, como o con­ges­tion­a­mento de proces­sos a serem dig­i­tal­iza­dos. “Mas percebe­mos esforços, tanto do TJ quanto do CNJ e, quem sabe, haja um alto inves­ti­mento que acelere a mod­ern­iza­ção das comar­cas, prin­ci­pal­mente as maiores, que estão mais abar­ro­tadas de processos”.

(Pubil­i­cado na Gazeta de Limeira de 3÷7÷2011 — repub­li­cado com autorização)

Fórum de Artur Nogueira já é totalmente digital; juiz de Limeira foi conhecer a operacionalização

Renata Reis/Rafael Sereno

O lançamento do Processo Judicial Eletrônico (PJe), sistema de informática desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no último dia 21, reacendeu a discussão sobre a necessidade de informatização no Judiciário como forma de reduzir prateleiras e mais prateleiras de pastas e agilizar o trâmite de uma ação, da distribuição até a sentença.

O sistema PJe é um software elaborado pelo CNJ a partir da experiência e com a colaboração de diversos tribunais brasileiros. O objetivo é manter um sistema eletrônico capaz de permitir a prática de atos processuais pelos magistrados, servidores e demais participantes da relação processual diretamente no sistema, assim como o acompanhamento desse processo.

Com a informatização, há expectativa de racionalização de gastos com elaboração e aquisição de softwares, que permitirão o emprego dessas verbas e de pessoal em atividades mais dirigidas à finalidade do Judiciário: resolver os conflitos.

O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo já mantêm serviço semelhante em alguns municípios, como no Foro Distrital de Artur Nogueira, onde a Gazeta e o juiz da 2ª Vara Criminal de Limeira, Luiz Augusto Barrichello Neto, acompanhado de seu chefe de cartório, Paulo Sartori, estiveram em visita na última semana.

Na comarca vizinha, o juiz titular Fábio Fazuoli, junto com o supervisor de serviços, Pedro Rogério, mostrou o funcionamento de um Fórum totalmente digital. “É uma mudança de paradigma, sair do papel e ir para o digital”, diz o juiz. Ele conta que, apesar do sistema estar em operação desde o fim de 2007, quando o Fórum foi instalado, ainda existem muitas barreiras a serem superadas.

COMO FUNCIONA

Em Artur Nogueira, os advogados têm a possibilidade de peticionar por meio eletrônico, mas essa via é a minoria. A média de processos iniciais da forma tradicional é de 400 a 450 por mês. Desde o início do ano, apenas 30 processos foram protocolados pela internet. O Foro Distrital de Artur Nogueira também recebe processos de Engenheiro Coelho.

Para fazer pelo meio eletrônico, os advogados precisam, primeiramente, adquirir uma Certificação Digital, obtida através de autoridades certificadoras autorizadas pelo ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras). Depois disso, é preciso efetuar cadastro de identificação pessoal no site do TJ (www.tjsp.jus.br).

Apesar da garantia de segurança do sistema, Fazuoli conta que muitos advogados demonstram receio ou simplesmente não são se afeiçoam com os meios eletrônicos, o que eleva a demanda de digitalização no Fórum. De maio a dezembro do ano passado, os servidores precisaram digitalizar 74.986 páginas de processos.

São seis servidores envolvidos no trabalho de digitalização. Se os advogados usassem mais o sistema, ao menos três ficariam livres para outros serviços.

O TJ fornece as máquinas necessárias para o trabalho. O processo de digitalização segue a ordem cronológica da distribuição das petições, mas, em casos de urgência, como pedidos de liberdade provisória ou qualquer outro que requeira análise imediata do juiz, há o bom senso de estabelecer as prioridades.

Quando o processo chega por meio eletrônico, em questão de minutos pode estar na tela do magistrado. Fazuoli lembra que, certa vez, concedeu uma liminar e, minutos depois de disponibilizá-la no sistema, o advogado foi até o Fórum peticionar o pedido de reconsideração da liminar. “Fiquei surpreso porque, coincidentemente, a parte estava navegando na internet e tomou conhecimento imediato”. Ele ainda conta que soube de um advogado que contratou uma estagiária apenas para monitorar o andamento dos processos pelo sistema.

Fazuoli diz que há o receio de invasões de hackers, mas conta que o TJ desenvolve uma ampla tecnologia de segurança e, até o momento, não foram registrados incidentes do tipo.

Nas prateleiras do Fórum de Artur Nogueira, os processos físicos são muito poucos. Há espaços vazios, realidade bastante diferente dos cartórios de Limeira e outras cidades.

ENTRAVES

O juiz local aponta que um entrave é que as delegacias e Fóruns de outras comarcas não estão informatizados e, muitas vezes, o processo que já está digitalizado precisa ser impresso para sequência do procedimento, como quando chega ao fim na primeira instância e segue para recurso no TJ. Outro exemplo: num feito criminal, toda a fase de inquérito policial continua no papel, apesar de a Justiça já acompanhá-lo. A informatização só ocorre a partir da manifestação do Ministério Público (MP) pelo oferecimento da denúncia ou pedido de arquivamento do caso.

Marcelo de Mendonça Neves assumiu a Promotoria de Justiça de Artur Nogueira no início de junho. Em um mês, ele notou que o sistema permite maior rapidez nas ações. Para ele, este é o caminho.

Barrichello conta que a experiência foi positiva, mas acredita ser uma realidade distante para Limeira. Ele considera o tamanho do município vizinho e que, o Fórum de Artur Nogueira já foi instalado com a tecnologia. Ele é favorável à modernização no Judiciário, principalmente em relação às ações simples, como execuções fiscais.

Por outro lado, diz que o trabalho manual não pode ser dispensado e que os servidores precisam ser capacitados para atender os propósitos da informatização e evitar os gargalos que surgem, como o congestionamento de processos a serem digitalizados. “Mas percebemos esforços, tanto do TJ quanto do CNJ e, quem sabe, haja um alto investimento que acelere a modernização das comarcas, principalmente as maiores, que estão mais abarrotadas de processos”.

(Pubilicado na Gazeta de Limeira de 3/7/2011 – republicado com autorização)

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